A correta combinação de alimentos é talvez o segredo principal para manter o equilíbrio e o bom funcionamento do nosso organismo.
por Marina Francini |
Em seu texto Alimentação para a Vida, a terapeuta energética e rebirther Marina Francini, responsável no Brasil pelo trabalhho terapêutico de Mãos sem Fronteira, defende a idéia de que a toxemia é a causa fundamental de todas as doenças. Com isso, aponta também o que ela considera o caminho para a saúde: o favorecimento da eliminação de venenos e o fortalecimento do sistema natural de imunidade.
Alimentação para a Vida
Quando se fala de alimentação, estamos entrando num tema muito extenso e que não está limitado exclusivamente àquilo que geralmente chamamos de comida. A cada momento do nosso dia-a-dia estamos fazendo escolhas de coisas que necessitarão de digestão, assimilação; podemos nutrir-nos ou envenenar-nos, poluir-nos. Tomamos a maior parte de tais decisões de forma automática – quase inconsciente. Muitas vezes, não temos nunca tomado o tempo suficiente para refletir e saber em base a que estamos escolhendo nem quais as conseqüências.
Há alimentos para o corpo físico e outros para nossa mente, nossos sentidos e nosso espírito. Ou seja: respiração, pensamentos, palavras, emoções, relacionamentos, leituras, músicas, cores etc. Algo que sabemos é que precisamos alimentar-nos para nos mantermos vivos. Trata-se de um bom ponto de partida, porque nos indica uma responsabilidade individual precisa nesse sentido. Se observarmos que somos seres vivos, não é difícil entender que precisamos de alimentos vivos para manter a saúde, o bem-estar e a alegria.
O Dr. Edmond Bordeaux-Szekely estabeleceu a seguinte classificação que pode ser de grande ajuda para nos orientar em nossas escolhas:
- Biogênico - que produz a vida.
- Bioativo - que mantêm a vida.
- Biostático - que diminui a vida.
- Biocídico - que mata a vida.
Outro aspecto que é importante lembrar quando pensamos em alimentação é que temos um campo energético eletromagnético de consciência que sustenta o nosso ser físico que precisa ser recarregado e nutrido. Todo o manifestado existe como energia sutil antes de assumir uma forma específica. Primeiramente a energia condensa-se no que poderíamos chamar de molde etéreo do que será seu aspecto tridimensional, posteriormente adquire também a forma física. As qualidades vibratórias dos alimentos que escolhemos têm uma influência neste campo sutil, ao mesmo tempo em que atuam no corpo mais denso. Por isso, a importância de privilegiar os produtos que mantêm intactas suas características energéticas vitais.
Uma Alimentação para a Vida dá preferência a alimentos que fazem parte das duas primeiras categorias, entendendo que o uso de alimentos que constituem as duas últimas categorias prejudica, com o passar do tempo, a saúde e a vitalidade. Uma Alimentação para a Vida utiliza elementos frescos, sem cozimento, de preferência de origem orgânica (livres de pesticidas e fertilizantes químicos) e aproveita a contribuição especial dos brotos, reconhecendo neles uma maneira simples, prática e econômica de receber a mais concentrada forma de energia de vida comestível.
O alimento cru contém as enzimas necessárias para ser digerido
O Dr. Edward Howell - que dedicou a vida toda ao estudo das enzimas - chegou a concluir que estas são as transportadoras da energia vital. Todos os organismos possuem uma variedade quase infinita de enzimas que atuam como catalisadores das mais diferentes funções. No corpo humano foram encontradas milhares delas; aquelas implicadas na digestão são somente doze.
Utilizando o mesmo exemplo dado pelo Dr. Howell em seu livro Enzyme Nutrition, é como se, ao nascer, o ser humano recebesse uma doação muito grande, embora limitada, de enzimas - ou energia vital -, como uma soma de dinheiro depositada no banco. Se, durante a vida, se retira energia vital desta conta, sem nunca ter o cuidado de fazer depósitos nela, chegará o momento em que esta se esgotará.
Se tomarmos, por exemplo, uma maçã e a comemos crua, aproveitaremos as enzimas ativas que promovem a sua fácil digestão. Trata-se das mesmas enzimas que provocam a putrefação do fruto quando ele não é utilizado. Quando isto acontece com um fruto caído da árvore sobre o solo, resulta numa devolução de nutrientes orgânicos à nossa Mãe Terra, completando assim o ciclo vital do fruto. Se as condições são favoráveis, é até possível às sementes brotarem, dando lugar ao nascimento de uma nova planta.
Retornando ao nosso exemplo, a situação será diferente se comermos o alimento cozido. Neste caso, as enzimas estão inativas (as enzimas são compostas por dois elementos que, ao serem expostos a uma temperatura superior a 50º centígrados ou a certo tipo de radiação, distanciam-se tanto entre elas a ponto de resultarem inertes), e nosso corpo deverá proporcionar as enzimas digestivas necessárias, valendo-se da reserva de energia vital.
Quando a alimentação é constituída em sua maior parte por produtos cozidos e processados industrialmente, o que fazemos é retirar continuamente de nossa conta bancária. É desta forma que, na produção das doze enzimas digestivas, investimos a maior parte de nossa reserva de energia. O prejuízo, ao cozinhar os alimentos, não se limita à perda total das enzimas, perdem-se em forma considerável também as vitaminas - às vezes totalmente, como no caso da vitamina B12 - e acontecem alterações das graxas, minerais e proteínas que deixam de ser metabolizadas do mesmo jeito de antes, convertendo-se, muitas vezes, em toxinas. No caso do forno de microondas, o quadro é ainda mais grave pelo fato de que suas intensas radiações destroem completamente o campo energético dos alimentos, desvitalizando-os, e modificam mais ainda sua estrutura molecular - que deixa de ser reconhecida geneticamente pelo nosso metabolismo, que por sua vez entra em estado de alerta, como quando na presençaa de agentes patogênicos. Este fenômeno, chamado de leucocitose digestiva, acontece cada vez que for ingerido algum alimento cozido ou processado (também balas, bolachas, salgadinhos, refrigerantes). O número de leucócitos (glóbulos brancos) no sangue aumenta e se normaliza somente depois de hora e meia depois de cada refeição. Isto não acontece com os alimentos crus.
As gorduras, por exemplo, em estado natural - cru -, contêm também elementos ativos que permitem a sua metabolização. Ao cozinhar, se perde este elemento, saturando as graxas numa forma que o organismo não pode metabolizar. Por esta razão é que o abacate e as sementes oleaginosas sem torrar - sempre que ingeridos com moderação - não produzem acúmulo de graxas saturadas prejudicial para a saúde, diferente das carnes, óleos, manteiga, margarina e azeite cozidos. É fundamental reduzir ao mínimo o consumo de graxas cozidas e saber que somente os azeites e óleos prensados a frio mantêm intactos seus valores nutritivos. Em todos os demais casos, as sementes e as azeitonas foram tratadas com altas temperaturas para obter uma maior quantidade de azeite.
O excesso de proteínas prejudica a nossa saúde
Um dos grandes preconceitos de nossa época é a obsessão pelas proteínas. É importante esclarecer que praticamente todos os alimentos naturais contêm proteínas, sendo quase impossível uma deficiência protéica; é preciso chegar a casos extremos de desnutrição para que isso aconteça. Por outro lado, a necessidade de proteínas para o organismo é muito inferior àquela propagandeada com claras finalidades comerciais. Na composição do leite materno, as proteínas representam somente entre 2 e 6%. Pode-se dizer que tão importantes como as proteínas, e até talvez mais, são as vitaminas, os minerais, as enzimas e os oligo-elementos, que para serem energeticamente ativos precisam ser de proveniência natural. É interessante observar que os minerais e as vitaminas de mais fácil absorção são aqueles de origem vegetal. Vitaminas e minerais sintetizados em laboratórios, em cápsula ou adicionados aos alimentos, não são completamente metabolizados pelo nosso organismo e resultam numa carga maior de trabalho de eliminação. O ferro adicionado, por exemplo, aos achocolatados, traz muitas vezes como efeito colateral intestino preso, e raramente consegue melhorar quadros de anemia.
Voltando ao tema das proteínas, outro aspecto-chave é que nosso corpo é perfeitamente capaz de produzi-las na medida necessária, sempre que lhe sejam fornecidos os materiais básicos, os aminoácidos, os quais são encontrados em forma facilmente metabolizável em vegetais e grãos, especialmente na etapa de germinação. Os aminoácidos são 22: 12 são sintetizados diretamente no nosso organismo, enquanto oito, chamados essenciais, precisamos obtê-los através dos alimentos. Todos os oito aminoácidos essenciais se encontram nos alimentos de origem vegetal não processados. Mais ainda, quando o corpo recebe os aminoácidos essenciais diretamente, como no caso de vegetais e brotos, está dispensado do trabalho de decompor as proteínas complexas em aminoácidos.
A eliminação das proteínas em excesso (especialmente de origem animal) sobrecarrega fígado e rins, estressando-o. Este processo de eliminação precisa de grandes quantidades de cálcio, provocando perda óssea e cálculos renais devido à grande concentração de cálcio na urina. Outro produto que facilita a perda do cálcio ósseo é o açúcar refinado, que o corpo aciona para neutralizar a hiperglicemia repentina que este provoca.
Observa-se, também, durante o processo da germinação, uma potencialização dos valores nutritivos e da energia vital da semente. Isto é fácil de entender se pensarmos que a semente, antes de brotar, contém - em estado latente - toda a informação necessária para o crescimento da planta completa. Quando germina, este potencial todo entra em movimento, numa explosão energética comparável à do Big Bang de que falam os astrofísicos contemporâneos. Esta é a contribuição inestimável que nos dão as sementes germinadas, sempre que forem ingeridas no seu estado natural - cru - que resulta em importantes depósitos de energia vital a favor de nossa “reserva bancária”.
Resultados de uma vida inteira de hábitos alimentares errados: problemas de saúde que afetam a maioria das pessoas
Má nutrição e toxemia
A causa comum de toda enfermidade é a má nutrição, da qual deriva a toxemia (alto nível de toxinas em nossas células). A má nutrição deve-se à desordem na alimentação e à ingestão de alimentos que satisfazem apenas ao paladar, enchem a barriga, mas são deficientes em nutrientes e qualidades vitais.
Quando nossos veículos físicos não recebem os nutrientes necessários para a reprodução de novas células, são obrigados a construir com aquilo que encontram; pedindo, a distintas partes do corpo, doações de materiais básicos indispensáveis. O resultado é uma lenta e progressiva deterioração dos órgãos e tecidos e de suas funções, que termina produzindo a doença. O envelhecimento precoce do ser humano tem sua origem principal na má nutrição e no sedentarismo.
Podemos observar que os animais, depois da juventude, passam por uma maturidade que se estende praticamente até o final de suas vidas, quando vivenciam um rápido declínio antes da morte. O ser humano parece começar a envelhecer já a partir dos quarenta anos, durando assim sua velhice às vezes a metade da vida. Das 8.400.000 espécies que existem na natureza, 8.399.999 comem alimentos que estão no próprio estado natural - não cozidos. O ser humano parece ser o único que está sujeito a maior quantidade de problemas relacionados com a saúde.
A toxemia depende de uma série de fatores que vão se somando. O ar contaminado das concentrações urbanas, a água com seus minerais nem sempre metabolizáveis, o stress, o abuso de álcool, tabaco, carnes, remédios, drogas, excitantes, o estar em contato com elementos tóxicos no lugar de trabalho ou em casa, são todos fatores que contribuem para o excesso de concentração de toxinas no organismo. Mas a causa principal encontra-se nos alimentos do mundo contemporâneo. Os resíduos de agrotóxicos nos vegetais, de hormônios e antibióticos em carnes e ovos, de químicos utilizados para processar alimentos como, por exemplo, para branquear o açúcar, a farinha, o sal, de conservantes nas carnes frias e nos produtos em lata e em garrafa, os corantes e sabores artificiais, as vitaminas sintéticas adicionadas que o organismo não metaboliza etc.
Outro fator que contribui para a intoxicação do nosso corpo é comer de novo quando não se tem ainda completada a digestão e comer quando irritado ou ressentido. Isto ransforma tudo aquilo que está no estômago em sustância tóxica, uma sobrecarga de trabalho para o sistema de eliminação. A mesma coisa acontece quando ingerimos alimentos que precisam de tipos diferentes de digestão como, por exemplo, comida cozida e fruta. Frente à mistura de alimentos não compatíveis os organismos mais sensíveis reagem imediatamente, apresentando sintomas como azia, peso, gases, sentir de novo um sabor de algo já ingerido, fezes soltas etc. Mas é importante compreender que nos organismos das pessoas que têm uma digestão ótima (dos quais se diz que podem digerir até as pedras), mesmo quando não se manifestam os inconvenientes mencionados, apresenta-se igualmente a acumulação de toxinas resultante da mistura inadequada. É de extrema importância o “bom astral” de quem prepara os alimentos, por isso a comida da mãe, se feita com amor, nos faz bem. As atitudes, emoções e pensamentos de quem trabalha na cozinha são absorvidas pelos alimentos e recebidas por aqueles que os consomem. O hábito de abençoar a comida com gratidão ajuda enormemente a purificá-los, sintonizando as freqüências dos alimentos com as freqüências dos nossos corpos.
O acúmulo das substâncias tóxicas debilita o sistema imunológico, conseqüentemente o organismo não será capaz de resistir à presença de elementos patogênicos. Compreender que a toxemia é a causa fundamental de todas as doenças, permite definir claramente o caminho até a saúde: favorecer a eliminação dos venenos e fortalecer o sistema natural de imunidade, introduzindo no corpo os alimentos capazes de fornecer as substâncias nutrientes necessárias para seu bom funcionamento. Ou citando novamente Hipócrates: “Doenças atacam as pessoas não como um raio em céu azul, mas são conseqüências de contínuos erros contra a natureza”.
Combinação dos alimentos
A correta combinação de alimentos é talvez o segredo principal para manter o equilíbrio e o bom funcionamento do nosso organismo, o veículo físico sem o qual não podemos cumprir nossa missão de aprendizado na Terra.
Quando escolhemos nossa comida é importante ter em conta principalmente o critério de digeribilidade; comemos para alimentar-nos, mas, com freqüência, acabamos gastando na digestão uma quantidade de energia maior que aquela que recebemos dos alimentos ingeridos. Para facilitar a digestão, simplicidade é a chave. Combinar alguns poucos alimentos em cada refeição, de maneira a aproveitar plenamente os nutrientes que eles trazem, assim como o sabor de cada um deles.
Podemos deixar-nos levar em nossas escolhas pelas combinações de cores, lembrando que todos os dias precisamos de folhas verdes, melhor se de três tipos diferentes. Importante é variar o mais possível, encontrando maneiras de comer também aqueles vegetais dos quais não gostamos. O sabor dos vegetais é dado pelos minerais que os compõem; variar significa receber um pouco de cada elemento, junto com a freqüência energética daquele alimento que seguramente nos traz algo valioso. O nosso organismo precisa de quantidades mínimas de certos minerais especiais, entre eles o ouro, chamados de elementos traços pelo fato que somente se encontram rastros deles; a melhor maneira de obtê-los é variando ao máximo os vegetais que ingerimos.
A fruta não se mistura com nenhuma comida cozida; o melhor momento para comê-la é de manhã, ou várias horas depois do almoço. Como as frutas não requerem muita digestão, elas passam rapidamente pelo estômago. Se encontram em seu caminho comida sendo digerida, elas são detidas e começam a fermentar, produzindo substâncias tóxicas como álcool, por exemplo. Frutas ácidas não combinam bem com as frutas doces. Ambas combinam razoavelmente com as frutas semiácidas ou semidoces. Melancia e melão não combinam com nada e só podem ser consumidos em jejum. Esperar de 20 a 30 minutos antes de comer outra coisa.
Todo alimento cru precisa ser ingerido antes dos alimentos cozidos pelo fato de que sua digestão é mais simples. Assim, saladas e frutas vêm sempre antes de qualquer comida cozida. Tomar suco ou refrigerante na hora da comida provoca fermentação e putrefação no trato digestivo. Quando se come suficiente salada, especialmente folhas, normalmente não há necessidade de líquidos na hora da refeição para não diluir os sucos gástricos. Se sentir sede durante as refeições, isso significa, por um lado, que não se tomou suficiente água nos intervalos entre refeições; por outro, que aquilo que estamos comendo é excessivamente temperado, gorduroso ou “intenso”.
Quando se trata de alimentos cozidos, proteínas e carboidratos não combinam: por exemplo, carne e batatas ou arroz e feijão. As proteínas precisam de uma digestão ácida, ao contrário dos carboidratos que requerem um ambiente alcalino. Tanto proteínas como carboidratos combinam bem com verduras. Também não é indicado comer mais de uma proteína por vez (carnes e laticínios ou ovos), ou mais de um tipo de carboidrato por vez (arroz e macarrão, batata, abóbora, mandioca). Se formos comer somente coisas cruas, os critérios são menos rígidos, visto que nos grãos e hortaliças a porcentagem de carboidratos é menor antes do cozimento.
Leite
O leite de vaca é seguramente o melhor alimento para o bezerrinho. Oitenta anos atrás ninguém pensaria em dar leite de vaca a uma criança pequena, era sabido que ele é excessivamente gorduroso e pesado. Quando as mães não tinham leite, se recorria a outra mulher ou a leite de cabra. O leite de vaca nem sempre oferece o tipo de cálcio ideal, as células ósseas podem se tornar excessivamente duras, não permitindo a inserção apropriada dos ligamentos e músculos.
O iogurte ou kefir é preferível ao leite. Na fermentação, os lactobacilos “predigerem” o leite, transformando a lactose em galactose. A lactose é a sustância no leite que mais provoca alergias, muitas vezes em forma de acúmulo de muco (rinite, tosse, sinusite, amidalite). A soja é outro alimento excessivamente “denso”, cuja digestão é um tanto complicada, razão pela qual os japoneses costumavam consumir seus derivados fermentados: shoyu, missô, tempêh. Ótimos leites podem ser obtidos a partir de sementes oleaginosas (gergelim, castanhas, girassol) ou de grãos (aveia, trigo, cevada). Estes podém ser aquecidos a banho-maria, porém não podem passar da temperatura que nossa mão agüenta para não perder sua digeribilidade e poder energético.
Carnes
Primeiramente, podemos observar que o organismo humano nasceu para se alimentar de frutos e vegetais crus; isso pela observação dos dentes e do aparelho digestivo. Por exemplo, nossos intestinos são muito mais compridos que os dos felinos, notoriamente carnívoros. Com o passar do tempo, o ser humano mudou sua própria natureza, incluindo os animais na própria dieta e chegando a cozinhar suas comidas. Porém, nunca antes como nesses tempos de consumismo desenfreado ele tem consumido tanto de tudo: carnes, laticínios, refrigerantes, guloseimas etc. A carne vermelha é um alimento de difícil digestão; quando consumida junto com carboidratos, sua digestão é ainda mais complicada. Ao ficar muito tempo nos nossos intestinos, entra em putrefação liberando substâncias tóxicas, produz depósitos nas articulações e artérias e favorece a hipertensão. A carne de porco é um produto que vários povos da terra consideram perigoso para a saúde e até para o desenvolvimento espiritual. O frango e o peixe são mais digeríveis, porém não podemos consumi-los diariamente devido à contaminação ambiental (alto nível de mercúrio no peixe) e às técnicas de produção (hormônios dados aos pintinhos para que cresçam mais rápido).
Produtos refinados
Todos os produtos refinados (açúcar, adoçantes, sal, farinha, arroz, maizena etc.) perderam seus nutrientes nobres e ganharam resíduos químicos durante o processamento. A metabolização desses produtos pelo nosso organismo requer o sacrifício de até 16 minerais importantes, resultando num déficit considerável que traz conseqüências dramáticas ao longo do tempo. Trata-se de calorias vazias que sobrecarregam o trabalho de fígado, pâncreas e rins, e se transformam facilmente em acúmulos de gordura.
Açúcar
O açúcar refinado interfere com o funcionamento do sistema imunitário, alterando a fagocitose dos glóbulos brancos (ação de comer as bactérias) proporcionalmente à quantidade consumida. Por essa razão, favorece a proliferação de bactérias nocivas perturbando, por exemplo, o equilíbrio da flora bacteriana, promovendo cáries nos dentes e abrindo as portas a infecções crônicas (cistite, rinite, amidalite, otite, sinusite etc.). O açúcar refinado provoca, primeiramente, um estado de hiperglicemia que resulta em euforia e agitação psicofísica, seguido por uma hipoglicemia que se expressa como depressão e fadiga mental e física. Essa gangorra nos níveis de açúcar no sangue provoca stress tanto no metabolismo como no sistema nervoso. Em razão desse mecanismo e pela capacidade de viciar rapidamente, o açúcar refinado é considerado por muitos como droga pesada.
Estimulantes
Café, chocolate, chá preto, chá mate contém excitantes que são potencializados quando adicionamos o açúcar. Entramos no mesmo discurso do efeito estimulante, que atua, no caso do chocolate como calmante da nossa ansiedade existencial, seguido por cansaço que requer novas, às vezes maiores, doses de excitantes. A coca-cola e outros refrigerantes também contêm estimulantes.
Preparados e receitas
Rejuvelac
É uma bebida antioxidante, rica em vitaminas do complexo B, vitamina E, vitamina C, proteínas, carboidratos, fosfatos, dextrinas, sacarinas, lactobacilli e aspergillus (bactérias amigas de nosso intestino). Pode ser tomado puro, a todo momento, mas se for adoçado ou batido com fruta, então tomar longe das comidas cozidas.
Prepara-se com sementes brotadas de trigo, cevada, centeio e aveia. Pode-se utilizar somente um tipo de semente, ou também combiná-las.
1. Proceder à germinação das sementes, como explicado.
2. Quando o broto alcança o tamanho da semente:
- adicionar água: 1 parte de sementes -2 ou 3 de água,
- cobrir com tule e manter num lugar fresco e semi-escuro.
3. Passadas 24 horas, revolver o líquido com uma colher e provar seu sabor:
- se tem sabor ruim, jogar fora a água, mas não as sementes. Adicionar novamente água ao recipiente;
- se o sabor é azedo, tudo está bem. Nos dois casos, esperar mais 24 horas.
4. Quando o Rejuvelac está pronto, passar o líquido por um coador. Conserva-se vários dias se refrigerado.
5. Colocar de novo água no recipiente com as mesmas sementes. A segunda colheita estará pronta em 24 horas, a terceira em 48, mas o tempo pode variar segundo o clima. Chega um momento em que as sementes não têm mais nutrientes, então podem ser usadas como adubo vegetal.
Cereal
Uma receita para o café da manhã que pode também ser uma sobremesa.
Ingredientes:
- 1 xícara de cereais germinados (trigo, aveia, centeio, arroz, cevada, etc.)
- ½ xícara de fruta seca, deixada previamente de molho.
- 1 xícara de fruta fresca (opcional).
- Água ou Rejuvelac, em quantidade suficiente para obter uma consistência espessa
Bater junto no liqüidificador e adoçar, se preciso, com melado ou mel. Transforma-se em suco usando mais líquido.
Batido Energético
É a receita fundamental da Alimentação Viva. Contém os elementos úteis para a desintoxicação do organismo e todos os nutrientes necessários para a regeneração celular.
Quando o objetivo é a recuperação da saúde ou a limpeza do organismo, a quantidade diária por pessoa é de 750 a 1000 ml - ou seja, um copo de liqüidificador - dividido em 3, 4 ou mais refeições.
Sendo que este alimento é a medicina, é importante procurar comer a quantidade indicada, ou mais. Não deixe de fazê-lo, mesmo se não tiver todos os ingredientes.
1. Bater, com pouco líquido (rejuvelac ou água), até conseguir uma massa homogênea:
- Um pedacinho de algum tubérculo (batata doce, mandioca, nabo, inhame, etc.).
- Uma pequena quantidade de algas molhadas.
- ½ xícara de sementes germinadas - brotos do tamanho da semente.
2. Adicionar - pouco a pouco - mais líquido junto com os ingredientes:
- Folhas verdes em abundância.*
- Brotos de alfafa, girassol, feijão moyashi, azuki ou outros, crescidos até ter folhas.
3. Adicionar fruta e mais líquido, se for necessário:
- Um bom pedaço de mamão.**
- Abacate - opcional.
- Outro tipo de fruta - opcional - todos, menos cítricos, melancia, melão, banana.
4. Bater até obter uma consistência cremosa.
Decorar com brotos e fruta picada. O batido se conserva refrigerado todo um dia.
Podemos variar o sabor, mudando os ingredientes. O Batido Energético resultará doce, se adicionarmos mais fruta fresca e/ou fruta seca reidratada, melado ou mel de abelha. Será salgado quando usarmos menos fruta, folhas verdes de sabor mais forte - como coentro, agrião, rúcula - e também um pouco de shoyu ou missô.
* Alface, espinafre, folhas de aipo, salsinha, acelga, beterraba etc.
** É sempre melhor aproveitar da fruta local na sua própria estação; em certos países, em vez de mamão, utiliza-se pêra, maçã, pêssego, figo, ameixa etc.
Leite de Gergelim
É uma fonte maravilhosa de cálcio e fósforo. Pode-se combinar com fruta e/ou mel ou melado, nesses casos tomar longe das comidas cozidas. Quando indispensável, esquentar em banho-maria.
1. Deixar o gergelim de molho entre 4 e 8 horas. Para obter 1 litro de leite, 200 g de sementes secas.
2. Coar e deixar as sementes no coador tampado durante 1 hora para dar início ao processo de germinação. Não deixar mais tempo porque se oxida e fica amargo.
3. Bater com o dobro de água no liquidificador.
4. Passar por um filtro de pano, espremendo com força para extrair todo o leite.
OBS: Tomar imediatamente, porque se oxida muito rapidamente.
Nota: em caso de ter que preparar o leite várias vezes por dia, é possível deixar de molho de uma vez todo o gergelim que vai ser usado. As sementes coadas serão conservadas na geladeira num recipiente com tampa, e bater somente a quantidade que for necessária.
Também pode ser obtido leite das amêndoas, do girassol descascado, da castanha-do-pará etc. Proceder da mesma maneira. Para tirar a pele das amêndoas, passá-las por água fervendo durante 30 segundos (não mais de 30 para não perder as enzimas). Ao bater com menos água, obtém-se creme em vez de leite.
Saladas
SALADA DE CHUCHU CRU – OU GILÔ
1 chuchu
Sal marinho
Suco de 1 ou 2 limões
Semente de girassol sem casca ou algas hijiki
1 colher de sopa de azeite de oliva
Descascar o chuchu e cortar - com fatiador – em fatias quanto mais finas possíveis. Acrescentar o suco de limão, o sal e as algas (ou as sementes de girassol) e deixar repousar 2 ou 3 horas. Antes de servir acrescentar o azeite.
SALADA DE PEPINO COM IOGURTE E HORTELÃ
Alguns pepinos
Iogurte natural
Hortelã
Sal marinho
Azeite de oliva
Ralar os pepinos com casca. Acrescentar o sal e o azeite ao gosto, o iogurte e a hortelã bem picadinha. Deixar repousar na geladeira 1 ou 2 horas. Quem gostar pode acrescentar alho espremido.
SALADA DE COUVE-FLOR CRUA COM NOZES AO CURRY
Couve-flor bem fresca e firme
Iogurte natural
Sal marinho
Shoyu
Curry indiano
Nozes – ou caju – ou macadamias
Azeite de oliva
Ralar a couve-flor crua – ou cortar finamente com uma faca muito afiada ou fatiador. Acrescentar as nozes picadas bem finas e os outros ingredientes ao gosto. Deixar repousar 2 ou 3 horas, na geladeira nos meses quentes, antes de servir.
SALADA DO MEDITERRÂNEO
Tomate
Pepino
Pimentão amarelo e vermelho
Sal marinho
Azeite de oliva
Talos de salsão
Cebola roxa
Azeitonas pretas ou alcaparras
Manjericão, mangerona, oregano, tomilho – melhor se for fresco
Cortar todos os ingredientes e acrescentar os condimentos.
TODOS OS DIAS:Comer uma salada de folhas verdes: Devem ser pelo menos 3 tipos diferentes, é muito importante variar o sabores e comer também um pouco das mais fortes ou amargas. Quando são misturadas com outras mais doces, fica muito mais fácil. Lavar bem, cortar em pedaços (melhor se com as mãos em lugar de faca) agrião, folhas de beterraba, alface, almeirão, couve manteiga, escarola, rúcula, etc. Pode-se acrescentar salsinha, coentro, manjericão, hortelã, etc. CADA DIA: Escolher alguns entre os seguintes ingredientes crus para completar a salada (a melhor maneira de escolher é pela cor): Ralados: abóbora, abobrinha (todas), batata doce, beterraba, cenoura, nabo, pepino, rabanete
Cortados finos: Abóbora, abobrinha italiana, brócolis, cará, cebolinha, cenoura, couve-flor, erva doce, inhame, milho verde, nabo, pepino, pimentão, rabanete, salsão
Cortados em pedaços maiores: pepino, pimentão, tomate
ALGUNS ELEMENTOS SOBRE VALORES DE BROTOS E SEMENTES
ABÓBORA
Proteína 30% ácidos graxos polinsaturados
Semente Min: fósforo ferro cálcio zinco
Vit: A B E
ALFAFA
Proteína 35%
AA: arginina lisina treonina triptofano
Min: enxofre cloro fósforo alumínio magnésio sódio cálcio potássio
Vit: C K E clorofila
AMENDÔAS
Proteína 18%
Min: cálcio potássio
Vit: B E
AVEIA
Proteína 14%
AA: 8 essenciais
Min: riboflavina niacina cholina acido pantoténico fósforo ferro manganês
Cobre fluoruro zinco
Vit: B E B1
AZUKI
Proteína
Min: ferro
Vit: C
CENTEIO
Proteína 12%
Min: silício fósforo
Vit: B E
GERGELIM
Proteína 18% ácidos graxos polinsaturados lecitina
AA: 8 essenciais
Min: cálcio fósforo magnésio potássio
GIRASSOL
Min: fósforo cálcio ferro fluoruro iodo potássio magnésio zinco
Vit: D E
LENTILHA
Proteína 25%
Min: ferro fósforo
Vit: C E
TRIGO
AA: 17 - entre eles os 8 essenciais
Min: o trigo verde contem todos os 103 elementos
Vit: E B
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