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Leituras

A Pedra Fundamental
por Sathya Sai Baba
Palavras de Sai Baba sobre educação em Valores Humanos
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Vivendo Valores
por Walmir Cedotti
A grande mudança está em incorporar, através de uma consciência mais ampla, todas as facetas da existência...
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Educação em Valores Humanos
por Marilú Martinelli
A educação é a busca incansável de conhecimento, impulsionada pelo amor...
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Palavras de Sri Sathya Sai Baba sobre educação
por Sai Baba
O verdadeiro sinal de que uma pessoa é educada, está na sua atitude de igualdade com o outro. Ela vê na sociedade, a manifestação do divino. A educação não conduz o homem da natureza até a alma que tudo penetra, mas o leva a estudar a natureza sob o enfoque unificador em função da alma ...
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Valores universais da tradição iorubá
por Juarez Tadeu de Paula Xavier
O axé é a força que assegura a existência dinâmica, que permite o acontecer e o devir. Sem ele a existência estaria paralisada, desprovida de toda possibilidade de realização.
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Vivendo Valores
 
A grande mudança está em incorporar, através de uma consciência mais ampla, todas as facetas da existência...

por Walmir Cedotti

Neste texto, o professor Walmir Cedotti, psicanalista, comunicólogo e consultor de empresas em Desenvolvimento Humano, apresenta a proposta da “trilha pelo coração”, programa que utiliza ferramentas das mais diversas áreas do saber para abrir caminho rumo ao estabelecimento de relações mais saudáveis e profundas com a vida.

Vivendo Valores: uma trilha pelo coração

Uma trilha pelo coração é um conjunto integrado de experiências e reflexões que procura criar sínteses, perceber a totalidade presente em cada momento da vida e os eixos por onde gravitam as tradições espirituais, a nova ciência, a arte, os valores humanos e o saber do senso comum, através de um olhar amoroso e criativo que busca re-significar a fala, a escuta, a relação do humano consigo mesmo, com o outro e com o ambiente que o cerca. Os instrumentos desta busca são a expressão corporal, as danças circulares, as artes plásticas e visuais, técnicas de relaxamento e consciência corporal. Como pilar essencial de sustentação ao trabalho, está a apreciação e o respeito às diferenças e a visão sistêmica do Ser, da Natureza e do Cosmos como uma unidade indivisa.

Este trabalho parte do princípio de que um conhecimento, para ser incorporado e experimentado, deve transitar por níveis que vão do mental racional, lógico e linear ao mental intuitivo e criativo, integrando o aspecto emocional, psíquico e o nível físico, corporal. Construir um conhecimento – e não apenas reter mais uma informação - significa desenvolver uma maestria que está em resgatar certas habilidades, que embora já estejam naturalmente em nós, estão “adormecidas”.

Essas habilidades “adormecidas” “despertam” através do exercício constante da “escuta” amorosa, alguma coisa pouco comum para os nossos ouvidos desatentos que procuram ouvir apenas aquilo que, de certa forma, seja uma confirmação do que supostamente sabemos.

A escuta amorosa à qual estamos nos referindo permite-nos construir um conhecimento de fato: a integração e organização de diferentes saberes que a princípio nos parecem desconexos e distantes, mas que na verdade emergem de uma mesma fonte. A unidade criadora. Perceber essa unidade é estar aberto à voz silenciosa, uma fala quase inaudível que revela “chaves”, aponta caminhos – acessíveis a todos, compreendidos e percorridos por aqueles com “olhos de ver e ouvidos de ouvir”. Quando conseguimos captar a sutil mensagem do silêncio, estamos próximos da sabedoria. Para tanto, precisamos de quietude, atenção plena, disponibilidade para correr riscos, desapego e confiança absoluta na ação do Espírito. Este sopro eloqüente que se move em todas as direções, se expressa através de muitas bocas e dos encontros e desencontros em nossas vidas, através dos conflitos e crises, mas também e sobretudo através dos pequenos “milagres muitas vezes ocultos” no transcorrer dos fatos e acontecimentos mais simples de todo dia.

Se os nossos corações estão serenos como quem permanece aberto a uma escuta sagrada, a mensagem que traz o novo (que é também muito antiga) pode ser apreciada em toda a sua amplitude, alcance e singular beleza. Este talvez seja o nosso maior desafio neste tempo de tanta informação e pseudo-verdades.

O encontro a que nos propomos realizar busca a criação em conjunto de condições para o desenvolvimento de instrumentos próprios que nos permitam “garimpar”, no contínuo fluir do rio da existência, as jóias que ali se encontram. Com consciência e amor, vamos, ao longo do tempo, reconhecer que as pedras supostamente sem valor, deixadas muitas vezes à margem do viver humano, guardam em si o mais sublime valor. Essas jóias se referem ao encontro do saber da ciência com a arte, a filosofia, o saber espiritual e o senso comum, junção de verdades individuais que vão “imprimir” no nível social e cultural um perfil próprio. Todas essas formas de saberes retornam às suas respectivas fontes para serem reincorporadas pela Fonte Criadora como resultado de nossos pensamentos, sentimentos e ações.

É neste momento que o trabalho vivencial Vivendo valores: Uma trilha pelo coração encontra a sua aplicabilidade, à medida que somos capazes de identificar os nossos condicionamentos e crenças cristalizadas e suas fontes de origem. É possível estabelecer novas sínteses, integrar experiências e também reconhecer nossos “modelos mentais”, perceber generalizações e fragmentos que provocamos à unidade coexistente através de uma visão muitas vezes reducionista da vida.

Esta é uma jornada que tem um início, mas que não podemos vislumbrar o seu fim. A isto podemos chamar de aprendizagem contínua, uma capacidade de expandir os nossos conhecimentos a todo momento, tendo como foco essencial o viver valores humanos e o amor incondicional.

Gosto sim da tese, gosto síntese

Aquilo é Ciência,
Isto Ética(A arte é possível
por isso estética).
É preciso pô ética na ciência

Estática a física?
(só na aparência)!
Enquanto abrem-se as flores,
Em quântica fluorescência.
Sem o ato de Fé, física difícil de aceitar.

Fusão do velhonovo
Como visionária proposta.
Cosmo visão ordinária,
Estrelas sobrepostas.
E tudo coincide com insights.

Indo por onde poucos passam
Índios abrem caminhos, expandem limites,
Transformando prisões
Em muros de fumaça
A dança sagrada com graça consagra o divino

Há quem sempre nos oriente
Como as mensagens da Índia:
Mantras, sutras e mudras,
(ainda que muda)}a divina voz se escuta
Você tem pressa pra ciência... paciência

A lua da noite é de prata,
O sol da manhã é de outro,
Viver no planeta azul
Encontrando o crístico tesouro.
Ver com a alma é olhar com calma.

Que a arte não tarde em nos ensinar

O culto à graça não está oculto,
(é de graça) é só observar as palavras.
Assim também a beleza de cada dia
se revela, àqueles que sabem
ver com o coração.

A natureza humana
Pede harmonia e silêncio.
Talvez, amenizando os ruídos do mundo,
Possamos ouvira a voz do universo.

A natureza
É um emaranhado de beleza.
Silenciosamente tece sua teia
e lança-se em busca da luz.

Entre o denso e o sutil
impera a harmonia complexa
que só um coração sereno
pode penetrar e compreender.

Luzindo, luz indo e vindo
quando há paz.

Apaziguando.
A paz é quando
Encontramos a nós.

Nós desatados,
almas livres para escolher

A mente silenciosa, muda!

(Poemas extraídos dos livros Eco lógico, Evocação à natureza e Idéias que pintaram, de autoria de Walmir Cedotti)

Sobre o Espaço Sagrado

Podemos denominar Espaço Sagrado o meio e a maneira pela qual nos elevamos em consciência, expandimos o nosso entendimento e incorporamos um novo aprendizado. Quando compreendemos o sentido de nossa existência, quando apreciamos e acolhemos as lições e os sinais de tudo o que nos cerca como uma amorosa “lição cósmica”, passamos a nos relacionar conosco, com o outro e com tudo o que nos circunda de forma pacífica, suave e positiva.

No entanto, para mantermos uma relação harmoniosa com a vida em seu sentido mais amplo, é necessário que nos transformemos em observadores atentos de tudo o que se passa dentro e fora de nós. Uma espécie tensão ao contrário permite-nos viver livremente sem nos tornarmos prisioneiros de apegos e aversões que comumente nos enredam nas teias da dor e sofrimento.

Valores Humanos que promovem o amor, a paz, a equidade, a ação correta e a não-violência podem ser alcançados e praticados na medida em que incorporamos a verdade de que fazemos parte de uma unidade indivisa. Quando a fé na inteligência superior subexiste em nossas ações, seguimos fraternalmente o fluxo da vida. A dimensão ou vivência a qual estamos nos referindo parece-nos muitas vezes supra- humana, às vezes inatingível para nossos seres tão dispersivos, individualistas e ecocentrados. No entanto, no desenvolvimento e exercícios da atenção plena, torna-se possível vislumbrar e vivenciar tal estado de ser.

Persistência, fidelidade à meta, quietude, autocontrole, aspiração ao crescimento e abertura ao serviço desinteressado ao todo são qualidades inerentes a todo ser humano. Essas qualidades, quando buscadas constantemente e aplicadas dentro do possível em nosso fazer diário, transformam o cotidiano em uma ampla “sala de aula”. A aprendizagem passa a ser uma experiência de integração contínua, onde constatamos a abundância e a generosidade do universo.

É possível que as dificuldades e conflitos do passado ainda persistam, mas nossa forma contemplativa e flexível de viver farão dessas pressões e obstáculos questões mais fáceis de serem detectadas e incorporadas em nossos estados do viver humano. A grande mudança está em incorporar, através de uma consciência mais ampla, todas as facetas da existência, sem no entanto enriquecer nossa mente e coração com uma percepção dualista, maniqueísta e pragmática da vida. Ao contrário, vamos nos tornando mais compassíveis, serenos e acolhedores, incluindo todos os “reveses” como forças impulsionadoras do crescimento.

Em nossos mecanismos de defesa, comumente negamos aquilo que para nós são fraquezas e quase automaticamente projetamos as nossas limitações no outro, pura questão de hábitos condicionados, forças de repetição que nos mobilizam a responder de maneira cristalizada e pouco criativa a questões novas que nos instigam e nos mobilizam a procurar soluções.

É neste momento que o ser criativo torna-se essencial. Criatividade como instrumento do crescimento humano. Das relações, do viver integrado e holístico. O criar, nesta nova visão, envolve o trabalho individual e coletivo onde aprender com a experiência do outro é um ponto crucial do despertar criativo. Supermodelos mentais e paradigmas são um dos maiores desafios que a vida moderna nos impõe, e só com real espírito de humanismo, ética e compromisso com o todo é que podemos elevar em consciência para vislumbrar o real sentido de nossa existência.

Valores Humanos e criatividade: Caminhos para a transformação

Os Valores Humanos – Paz, Amor, Verdade, Não-Violência, Ação Correta – são núcleos essenciais para o desenvolvimento do caráter e para o despertar das qualidades mais altas no ser humano. É a partir da vivência destes valores que podemos nos sentir parte de uma realidade unitária, e por conseguinte imersos em uma Inteligência Maior.

Sathya Sai Baba, através de seus ensinamentos, nos faz refletir e experienciar as diferentes formas de manifestação desta inteligência Maior, e nos propõe meios para percebê-la e incorporá-la em nosso cotidiano. Esta presença, no entanto, só pode ser reconhecida através de um caminho que passa invariavelmente pela disciplina da mente.

A Pedagogia do Amor, sistematizada por Sai Baba, aponta na direção de uma realidade una, criadora e transformadora, possível de ser vivenciada por todos aqueles que cultivam uma atitude reverente e amorosa frente à vida.

O pesquisador psicanalítico Erich Neumann afirma, em um de seus trabalhos, que “o consciente de realidade unitária opões-se à conhecida realidade que se polariza na nossa consciência de Eu, que se movimenta sempre na tensão entre sujeito e objeto, homem e natureza ou homem e mundo”. Portanto a mente pensa, reconhece e interage com o mundo através de contrastes. É na relação dual que nosso consciente e nossa racionalidade buscam interagir com o objeto – como sujeito em busca de conhecimento – mas que, sem o pleno desenvolvimento do caráter alicerçado pelos valores humanos essenciais, pode tornar-se um instrumento de dominação e poder. O processo criativo exerce um papel fundamental na relação ensino-aprendizagem por etapas interdependentes que podemos associar simbolicamente a um tipo de morte e renascimento.

As sociedade tribais e as inúmeras tradições espirituais reconhecem o valor das cerimônias que definem o final de um ciclo existencial e a transição para um novo momento a ser vivido. Em outras palavras, são os ritos de passagem, práticas presentes em antigas culturas que entendem a necessidade de uma vivência simbólica plena de forma. O aprendizado adquirido tem um valor diferenciado e o novo ganha sacralidade e reverência.

Dentro desta perspectiva, toda aprendizagem, para se dar efetivamente, exige o “abandono”, ainda que momentâneo, das certezas da mente construídas no passado para “abrir espaço” para o novo, para a aquisição de uma nova experiência que deverá atuar internamente como semente em solo fértil.

Podemos afirmar que o processo criativo e a vivência em Valores Humanos, assim como nos “ritos de passagem”, exigem uma atitude interna de reverência e plena confiança na abundância da vida, onde o sentimento de medo e isolamento é superado por uma fé inabalável na ação transformadora e transcendente da vida.

O processo criativo e os Valores Humanos podem ser vividos na prática que emerge de olhar atento à realidade que nos cerca, mas que antes deve passar por um estado de paz íntima e por uma amorosa percepção da realidade dentro de cada um de nós. Se estamos confiantes e serenos, algo novo nasce misteriosamente em nosso corações.

Bibliografia:

Aulas de Transformação – Marilu Martinelli, Ed. Fundação Peirópolis
Pedagogia Simbólica – Carlos A. B. Byington, Ed. Rosa dos Tempos
A de Canção do Senhor – Comentários Sathya Sai Baba
Qualidades Sutis – Walmir Cedotti, Editora Ieco
Evolução à Natureza – Walmir Cedotti, Editora Ieco
Arte de Manutenção de Motocicletas - Robert A . Pirsing
Desenhando com o Hemisfério Direito do Cérebro – Bety Edwards, Ediouro
Gestos de Equilíbrio – Tarthang Tulku, Ed. Cultrix
Para Viver em Paz – Thica Nhat Han


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